10 conceitos chave para o diálogo intercultural

(Retirados e traduzidos do Centro para o Diálogo Intercultural.)

1. Diálogo intercultural
O diálogo intercultural acontece quando membros de grupos culturais diferentes, que têm opiniões e pressupostos divergentes, conversam reconhecendo essas diferenças. Com o desejo de apresentar os seus próprios pontos de vista e ser ouvidos, em troca, cada participante concorda em ouvir as visões dos outros. O diálogo intercultural é co-construído, requer a cooperação dos participantes para se envolverem em diferentes formas de interação. Embora, por definição comum, o diálogo não requer como resultado o acordo, os participantes frequentemente expressam a esperança de o alcançar em, pelo menos, uma das áreas.  No mínimo, a compreensão serve como um razoável começo e é preferível ao conflito. Os diálogos entres os que têm os pontos de vista mais divergentes são os mais difíceis, mas também os mais críticos.

2. Cosmopolitanismo
O cosmopolitanismo refere-se à ideia de cidadania intercultural mundial a nível local e mundial. O cosmopolitanismo é normalmente entendido como distinto, mas dentro do mesmo contexto, da globalização. Esta teoria aborda de que forma é que as pessoas individuais negoceiam as suas circunstâncias pessoais em relação à influência de forças globais. Isto inclui a consideração pelos imperativos éticos e morais que as pessoas têm para as suas comunidades, assim como, para um mundo maior, para lá das suas localidades. Envolve a vida social e a comunicação além-fronteiras portanto, é um fenómeno social.

3. Competência intercultural
A competência intercultural refere-se a um comportamento eficiente e apropriado nas interações com pessoas de outras culturas. Também às vezes conhecido como competência de comunicação intercultural, este conceito está associado a qualidades como a capacidade de simpatizar, capacidade de ouvir ativamente, atitude positiva perante pessoas de outras culturas, motivação para interagir com pessoas de outras culturas, flexibilidade e vontade de aprender com novas experiências.

4. Gestão coordenada de significado
A gestão coordenada de significado, ou GCS, é uma teoria prática sobre recursos e práticas para tornar a comunicação mais compreensível e mais capaz de criar melhores mundos sociais. Esta teoria é baseada na chamada “perspetiva de comunicação” que orienta o praticante ou investigador a olhar diretamente para os padrões de comunicação em vez de olhar para a comunicação através dos seus resultados. A GCS oferece várias ferramentas diferentes para dar sentido aos padrões de comunicação: estes incluem o modelo hierárquico do significado, o modelo serpentino da sequência temporal das ações e o de modelo LUUUUTT para explorar as diferenças entre histórias vividas, contadas e não contadas. A GCS também oferece conceitos, modelos e abordagens de valor específico para entender coisas como o conflito moral, virtuosismo dialógico e práticas de comunicação cosmopolitas.

5. Comunicação intercultural
A comunicação intercultural descreve qualquer interação entre dois ou mais membros de diferentes grupos culturais (internacionais, inter-religiosos, inter-étnico, inter-racial). O termo transcultural é, por vezes, usado como sinónimo embora, tecnicamente isso implique comparação de duas ou mais culturas. Qualquer cultura fornece aos seus membros um modo de vida particular, incluindo linguagem, comportamento, cultura material, ideias e crenças, que os membros transmitem à geração seguinte. Portanto, quando os membros de culturas diferentes entram em contacto, muitas vezes descobrem que as suas expectativas divergem consideravelmente.

6. Teoria dos contratos culturais
A teoria dos contratos culturais examina a negociação da identidade cultural e explica o que acontece quando uma parte da sua identidade ou visão do mundo é comprometida ou se sente, de alguma forma, alterada. Todos nascem numa cultura com normas, crenças, valores e tradições. Estas culturas representam contratos, e quando estes são interrompidos através da interação com outros com contratos diferentes, ou seja, diferentes expectativas, os participantes precisam de descobrir uma forma de coordenar as ações de forma relacional. Existem três tipos de contratos: pronto a assinar (assimilação esperada), quase completa (alojamento ocasional esperado) e co-criado (respeito mútuo esperado). Os contratos podem ser trocado num instante, mas negociação contratual pode demorar anos ou nunca ser finalizada.

7. Estereótipos
Os estereótipos associam membros de um grupo com uma ou mais características atribuídas a esse grupo. Os estereótipos são representações rígidas no processo cognitivo que são funcionais para quem as usa. Os estereótipos são usados como um atalho para descrever grupos de maneiras simplistas unidimensionais, tanto em conversas, como nos mídia. Embora a investigação não tenha provado que os estereótipos são corretos, as pessoas usavam-nos como base para a tomada de decisões, resultando em preconceito e discriminação. À medida que as pessoas se conhecem melhor, os estereótipos tornam-se menos relevantes.

8. Justiça social
A justiça social refere-se a um objetivo e a um processo de participação plena e iqualitária de indivíduos e grupos dentro da sociedade para responder às suas necessidades mutuamente definidas.
A justiça social abrange aspectos económicos, políticos e de justiça cultural. Como objetivo, a justiça social é concebida como o acesso e a distribuição equitativa de recursos, oportunidades e direitos. O processo para alcançar o objetivo da justiça social é necessariamente participativo, inclusivo e democrático, afirmando diversidade e capacidade humana para a ação, criatividade e colaboração para criar um mundo mais equitativo e justo para todos.

9. Pluralismo cultural
O pluralismo reconhece que é legítimo manter uma diversidade de crenças. Em contrapartida, o monismo sustenta que há apenas uma visão certa ou modo de vida. Mais especificamente, o pluralismo cultural foi proposto como um objetivo e como um conjunto de práticas sociais, para responder positivamente ao aumento de sociedades multiculturais e interdependentes. O pluralismo cultural resulta quando as práticas de uma sociedade, as instituições sociais, políticas e jurídicas estão orientadas
para respeitar a diferença e valorizar a diversidade, de forma a aumentar a coesão social, em vez de a
ameaçar. O pluralismo cultural vai além da diversidade cultural: o último apenas reconhece e tolera as diferenças culturais, enquanto o pluralismo cultural envolve a procura ativa da compreensão através da diferença.

10. Reflexividade 
A reflexividade envolve um processo de reflexão que transcende sempre a introspecção pessoal e considera uma forte componente social, compreendendo um comportamento num contexto. Os momentos reflexivos combinam elementos científicos e consciência crítica como passos necessários para a promoção da mudança. O objetivo final da reflexividade, desta forma, não é simplesmente refletir sobre a prática, mas para transformá-la, na maioria das vezes, em benefício para comunidade e os seus membros. A reflexividade traz uma profunda dimensão ética a qualquer empreendimento científico dado que é necessário estar sempre atento ao outro, como um parceiro essencial e agente de mudança.